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Expresso Musical
Longe dos holofotes, as garotas fazem a festa Mesmo sem reconhecimento, mulheres montam bandas e mostram que têm rock na veia

Edição Março/2008

Titia

Fotografia:  Divulgação

Titia Rita Lee, a mãe do rock brasileiro

 
 

por Mayk Souza
mayk@expressonoturno.com.br

Poucos são os grupos que conseguem aproveitar e apresentar um bom trabalho em um mercado seleto e altamente competitivo, como é o rock nacional. Uma mulher, que antes já havia criado o site MundoRock.net, revoltou-se com a falta de espaço para divulgar os trabalhos produzidos pelas meninas e lançou o Mundo Rock de Calcinha, um canal para divulgar o talento daquelas que se aventuram pelo gênero.

Parece que todos os direitos para as mulheres são mais difíceis. Então como dizer que pertencem ao sexo frágil? Elas já brigaram pelo voto e para trabalhar fora, "agora estão provando que dentro do rock tem espaço para todo mundo", revela Gisele Santos, idealizadora do projeto Mundo Rock de Calcinha.

A grande mídia atua com uma espécie de funil, filtrando o que acha que vende e recusando os demais. Poucas mulheres conseguiram furar esse bloqueio. Entre elas Rita Lee, Cássia Eller, Paula Toller, Fernanda Takai e Pitty. Gisele explica que "tem muita coisa por trás desse 'filtro', existe jabá em rádio e TV. Poucos empresários investem ou acreditam em novidades".

Diante desta realidade, o cenário alternativo funciona como campo de fuga para novos 'experimentos' e auxiliando na renovação dos talentos. "Tudo mundo vem da cena independente, precisam começar de algum lugar", declara. Hoje temos a Internet que dá uma certa igualdade para cada um mostrar o seu talento, mas, segundo Gisele, "tudo depende do empenho da banda em divulgar, ensaiar, acreditar realmente no trabalho".

Assim surgiu a idéia de lançar um canal exclusivo para que as mulheres do rock possam divulgar seus trabalhos na Web. Gisele chamou algumas amigas e juntas lançaram o portal Mundo Rock de Calcinha. "Tinha um programa no rádio e as meninas sempre me procuravam. Elas invadiram a programação", comenta. Além de abrir espaço para as mulheres, o site também contribui com informações importantes para o dia-a-dia da juventude. "Nosso objetivo principal é divulgar as bandas independentes, pois tem muita gente talentosa e não podemos deixar que continuem fazendo lavagem cerebral com tanto jabá. Também aproveitamos a audiência para conscientizar o público jovem sobre profissões, DST e meio-ambiente", finaliza Gisele.

Juntas, as mulheres venceram mais uma batalha em sua longa jornada, aquela menina que Cássia Eller dizia ser: "quem sabe ainda sou uma garotinha .... ", cresceu e está mostrando a sua cara.

 
 
 
 
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